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Espécies ameaçadas e áreas críticas para conservação
são tema de livro lançado no Museu Goeldi
Como subsidio ao Programa Extinção Zero do Governo do Estado do Pará, a publicação de autoria de pesquisadores do Museu Goeldi mostra a distribuição das espécies ameaçadas de
extinção no Pará, e propõe áreas prioritárias para conservação
Agência Museu Goeldi – Na última quarta-feira, dia 28 de outubro, o livro “Espécies Ameaçadas de Extinção e Áreas Críticas para a Biodiversidade no Pará”, fruto de uma parceria entre o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a Conservação Internacional (CI) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), foi lançado no Espaço Ernst Lohse, no Parque Zoobotânico do Museu.
Organizado pelas pesquisadoras Ana Luisa Albernaz, da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia, e Teresa Cristina Àvila-Pires, da Coordenação de Zoologia, a obra apresenta os novos resultados do projeto Biota Pará, iniciado em 2003. O programa fazia o inventário e mapeamento da fauna e flora paraense, que teve como resultados a Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção, o levantamento sobre os fragmentos florestais remanescentes da área mais desmatada da Amazônia e a criação do Prêmio Márcio Ayres.
“A produção do livro foi um processo construtivo e, com ele, esperamos que as pessoas e os órgãos públicos se apropriem, discutam e utilizem as informações para embasar as próximas políticas públicas para o estado, além de definir as suas áreas críticas”, diz Teresa Ávila-Pires, lembrando da meta da publicação, que era subsidiar o Programa Extinção Zero, do governo estadual.
A pesquisadora do Museu Goeldi Ana Luiza Albernaz, e também organizadora do livro, explica que a publicação indica as áreas críticas para biodiversidade do Pará, levando em consideração além dos dados de ocorrência os níveis de pluviosidade, temperatura e relevo, onde das 181 espécies presentes na lista, o estudo conseguiu registro de 102, porque as restantes estavam em substratos fora do Estado do Pará, por isso não puderam entrar no trabalho.
Albernaz destaca que “é importante entender que algumas das áreas críticas já têm algum nível de degradação, mas que mesmo com esse nível as áreas indicadas no livro são entendidas como importantes para a conservação da espécies ameaçadas ”.
Na visão do atual diretor do Goeldi, Nilson Gabas, o livro é uma pequena parte de uma grande pesquisa, e é uma forma de “transformar a pesquisa cientifica em política pública, de fazer a população absorver as informações e de formar a opinião pública”.
De acordo com a coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dedicado a pesquisas sobre Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia e ex-diretora do Museu Goeldi, Ima Vieira, a obra mostra o desafio que o Pará tem em conhecer a sua biodiversidade de forma rápida justamente para preservá-la. “Além disso, o livro é mais uma contribuição do Museu Goeldi nesse sentido, uma maneira da ciência contribuir e dar subsídio para o zoneamento e a conservação da biodiversidade, e onde as pesquisas podem ser ouvidas pelos tomadores de decisões”.
Também presente ao lançamento, o representante da Secretaria de Agricultura do Estado, Marcial Maciel, vê na obra uma contribuição para o futuro da região, pois entende a biodiversidade local. “São também mais informações que poderão ajudar a racionalizar a produção, e a melhor utilização”, declarou Maciel.
O vice-presidente para América do Sul da Conservação Internacional (CI), José Maria Cardoso, destacou a participação da organização não-governamental que representa, pelo apoio financeiro dado e pela contribuição no processo de elaboração da metodologia aplicada. Segundo Cardoso, “o trabalho produzido representa uma inovação significativa para a conservação da fauna e flora amazônica, em especial a do Estado do Pará”, e complementa: “a lista é apenas um parâmetro inicial para que o Estado tenha subsídios para criar políticas públicas de proteção”.
Nas suas 56 páginas, a obra apresenta a distribuição das espécies ameaçadas de extinção no Pará, e propõe áreas prioritárias para conservação, com ilustrações e mapas que enriquecem os dados. Do Museu Goeldi, a publicação contou com o apoio de mais de uma dezena de especialistas em fauna e flora. Além disso, durante o projeto houve colaborações de pesquisadores de todo o Brasil, além de um especialista da Universidade do Kansas (Estados Unidos).
A organizadora do livro, Ana Albernaz conclui “Existem áreas muito importantes e muito relevantes para complementar as áreas protegidas que já existem e assegurar a conservação dessas espécies ameaçadas”
A aquisição do livro será feita através do e-mail mgdoc@museu-goeldi.br
Texto: Vanessa Brasil e Lucila Vilar.
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