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Capes aprova pós-graduação do Museu Goeldi em Diversidade Sociocultural

O aval da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior para início do mestrado em Diversidade Sociocultural é uma nova conquista para a instituição científica mais antiga da Amazônia.
publicado: 13/12/2018 16h03, última modificação: 13/12/2018 16h03

Agência Museu Goeldi - Fruto de densa trajetória no campo de estudos museais e de um projeto com perspectiva notadamente interdisciplinar, o novo curso de mestrado do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), que reúne pesquisadores das áreas de antropologia, arqueologia, linguística, sociologia, história, ciência da informação e biologia, acaba de ser aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O sétimo curso de pós-graduação, e o segundo exclusivo do Museu Goeldi, está alicerçado na história centenária de pesquisa na área de Ciências Humanas, de estreita relação com povos indígenas e populações tradicionais da Amazônia. Serão ofertadas dez vagas na primeira turma, cujo processo de inscrição, seleção e início de aulas está previsto para o segundo semestre de 2019.

Com área de concentração em “Dinâmicas históricas e contemporâneas da diversidade sociocultural”, a nova pós-graduação do Museu Emílio Goeldi prioriza análises sobre transformações socioculturais na Amazônia. O curso está estruturado em três linhas de pesquisa - “Cultura e patrimônio”; “Povos indígenas e populações tradicionais”; “Socioecologia, diversidade sociocultural e ocupação territorial”.

Pesquisador e vice-coordenador da nova pós-graduação, o historiador Nelson Sanjad explica que a atuação pioneira do Museu Goeldi desde sua fundação, no século XIX, possibilitou a consolidação de estudos e a formação de acervos antropológicos (15 mil objetos oriundos de 119 povos indígenas) e arqueológicos (120 mil objetos e 2 milhões de fragmentos) que se tornaram referências, muitas vezes únicas, da diversidade cultural da Amazônia. Os acervos de Arqueologia e Etnologia, por exemplo, possuem expressivo conjunto de peças tombadas como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). E o quadro se completa com a Linguística, outra área forte integrada aos estudos das Humanidades na instituição paraense. O acervo da Linguística, disponível para consulta online, atualmente conta com mais de 20 mil itens referentes a 80 línguas indígenas da Amazônia.

Ineditismo – Em sua apreciação, a Capes destaca o ineditismo do curso no país. “A proposta do programa articula de forma coerente e inovadora disciplinas como Antropologia, Arqueologia, Linguística e Ciências Biológicas. Tem-se então um perfil de programa sticto sensu acadêmico antropologicamente informado, mas com viés sistemático, que contempla interfaces até o momento menos exploradas pelos cursos existentes”.

A região mais biodiversa do planeta é também rica em diversidade sociocultural, historicamente marcada por contribuições dos povos indígenas, populações ribeirinhas, quilombolas, migrantes europeus, americanos e asiáticos.

A antropóloga Claudia López Garcés, coordenadora do mestrado em Diversidade Cultural, destaca: “O Museu Goeldi tem uma tradição de pesquisa com os povos indígenas. Por exemplo, a relação do Museu Goeldi com os Mebêngôkre-Kayapó é centenária. Este povo têm uma memória e uma relação com o museu muito forte, tanto que nossa hipótese é de que o Museu já forma parte dos bens que eles vão transmitindo de geração em geração”.

López Garcés ressalta que a expectativa é que as novas gerações indígenas, que passaram a ter acesso a cursos de nível superior, apropriem-se cada vez mais dos espaços de pós-graduação na condição de pesquisadores e autores dos estudos. Sanjad reitera o pensamento da antropóloga sobre a expectativa com o novo mestrado: “a ideia é que a pesquisa não só se amplie em termos de número de projetos e publicações, mas também de atores envolvidos nessa atividade, que se diversifique”.

Texto: Erika Morhy