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Desigualdade, luxo e poder na Amazônia: a Era da Borracha

Vencedor e finalista de edições anteriores do Prêmio Jabuti, o botânico do Museu Goeldi, Pedro Lisboa, conta em seu novo livro a história da seringueira e da cultura da borracha na Amazônia. A obra, com quase 500 páginas fartamente ilustradas, é uma das novidades da XXI Feira Pan-Amazônica do Livro
publicado: 31/05/2017 09h00, última modificação: 08/02/2018 16h47
Exibir carrossel de imagens Detalhe da imagem da capa do livro O último vapor: ascensão e queda da borracha na Amazônia (1820-1930)

Detalhe da imagem da capa do livro O último vapor: ascensão e queda da borracha na Amazônia (1820-1930)

Agência Museu Goeldi – Direcionando seu olhar para uma das atividades econômicas mais importantes e simbólicas da região, e de tantos contrastes, Dr. Pedro Luiz Braga Lisboa, botânico e pesquisador titular do Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG, lança, nesta quarta-feira (31), a partir das 16h, o livro O último vapor: ascensão e queda da borracha na Amazônia (1820-1930). O lançamento será no estande do Museu na XXI Feira Pan-Amazônica do Livro, no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, em Belém.

Capa do livro O último vapor, ascensão e queda da borracha na Amazônia (1820-1930)A “impressionante e melancólica odisseia da borracha amazônica” é contada por essa obra, ricamente ilustrada, e que divide a história da Hevea brasiliensis – nome científico da seringueira – em cinco fases: descoberta, vulcanização, biopirataria, impacto econômico-comercial e taxonomia. A obra também presta uma homenagem ao naturalista suíço Jacques Huber, diretor do Museu Goeldi entre 1907 e 1914 e responsável por inestimável contribuição para os estudos das árvores produtoras de látex e da flora amazônica. O lançamento da publicação faz parte das comemorações dos 150 anos do MPEG. 

Da riqueza dos coronéis e prosperidade nas metrópoles ao abandono e miséria dos seringueiros no vale amazônico, Pedro Lisboa conduz seu leitor por um momento histórico que até hoje povoa a memória e o imaginário da Amazônia, cujos ciclos econômicos estão diretamente ligados a exploração dos recursos naturais. O pesquisador também faz relações com a questão ambiental dos dias de hoje.

O dinheiro proveniente da exploração da seringueira propiciou nas cidades de Belém e Manaus, capitais dos estados do Pará e Amazonas, um momento de grande ebulição econômica e cultural denominado de Belle Époque. O período foi caracterizado pelo esforço de inserir as principais cidades amazônicas em um processo civilizatório que marcou a região nos séculos XIX e XX. A empolgação com os palacetes luxuosos, o calçamento de ruas, a chegada da luz elétrica e outros ares modernizantes, de certa forma, ofusca o quanto foi penoso para muitos manter a estrutura do dito “progresso”.

Incisivo, Lisboa avalia que “a belle époque do norte do Brasil, que parecia dar uma aparência de desenvolvimento semelhante ao europeu, se resumia à importação das novidades uma vez que o dinheiro era abundante na Amazônia. Pouca coisa configurava uma belle époque autêntica, no Pará”.

Sobre o autor – Dr. Pedro Luiz Braga Lisboa é pesquisador aposentado do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde coordenou a área de botânica, a Pesquisa e a implantação da base física da Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã. É autor e coautor de 15 livros e dezenas de artigos publicados em periódicos científicos, dedicados principalmente aos temas: botânica econômica, etnobotânica, manejo de recursos naturais por comunidades tradicionais e história da Amazônia.

 

Texto: Phillippe Sendas.

 

Serviço: Lançamento do livro O último vapor: ascensão e queda da borracha na Amazônia (1820-1930), de Pedro Luiz Braga Lisboa.

Data: 31 de maio de 2017.

Hora: A partir das 16h.

Local: Estande nº 34, Hangar – Centro de Convenções da Amazônia (Av. Dr. Freitas, s/n - Marco, Belém – PA).