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Direto da Floresta: ciência jovem

publicado: 01/01/2014 11h00, última modificação: 14/07/2017 07h33
Agência Museu Goeldi - Um espaço de troca de conhecimento e ideias sobre Ciência, Arte e Cultura. Muitas são as iniciativas que se estabelecem com esse objetivo. A 1ª. Feira de Ciências da Floresta Nacional de Caxiuanãpoderia ser mais uma. Mas para quem mora a 18 horas de barco da capital do Estado, o Pará; e a seis horas em viagem de barco até a cidade mais próxima – núcleo urbano de Portel, no arquipélago do Marajó; uma Feira de Ciências é muito mais do que um evento com a mesma natureza em qualquer área urbana.
 
Moradores da Floresta Nacional de Caxiuanã, 618 alunos das escolas da Flona e entorno e 35 professores estarão reunidos durante quatro dias entre 22 e 24 deste mês para mostrar o que fazem para entender a Ciência a partir do seu cotidiano e de suas necessidades.
 
Um convívio baseado no conhecimento “promove a interação entre professores, alunos e comunidades em geral, num exercício de aprendizado e de estímulo a produção de trabalhos de caráter científico”, diz a educadora Socorro Andrade.
 
Além de “Estimular a produção de trabalhos científicos no contexto escolar da região”, como informa a organização, o Museu Paraense Emílio Goeldi busca talentos e “insere as Escolas da Flona Caxiuanã na programação oficial da Semana Nacional de C&T”, completa Graça Ferraz, Chefe da Estação Científica “Ferreira Penna”, gerenciada pelo Museu Paraense Emilio Goeldi.
 
A meta do evento é também de identificar “projetos em potencial para serem aperfeiçoados no decorrer do ano e participar da Mostra de Ciências comemorativa do vigésimo aniversário da ECFPn, explica Graça Ferraz, coordenadora do projeto Expansão do Programa Floresta Modelo de Caxiuanã através de uma Mostra de Ciências em 28 Municípios no Arquipélago do Marajó e no Nordeste Paraense, financiado pelo CNPq.
 
Faz dez anos que a Estação Científica “Ferreira Penna”, gerenciada pelo Museu Goeldi, realiza trabalho educativo sistemático como forma de interação com as comunidades do entorno da Flona Caxiuanã. Nos últimos anos o Programa Floresta Modelo orienta iniciativas junto à comunidade. Leia mais sobre o Programa ao final do texto.
 
Jogos e aprendizado - Como eventos pedagógicos e culturais, já foram realizadas seis Gincanas e quatro Olimpíadas. A Feira de Ciências representa “a evolução no estudo de Ciências desenvolvido nas escolas da Flona”, conforme a educadora. Uma demanda natural do trabalho em colaboração com professores, monitores, coordenação das Gincanas/Olimpíadas e secretarias de educação dos municípios de Portel e Melgaço, a ideia da Feira surgiu para promover um evento que prestigie e avalie in loco os trabalhos científicos produzidos nas escolas.
 
Os temas a serem apresentados durante a Feira sugerem a diversidade e a preocupação com a sustentabilidade do ambiente de populações tradicionais no interior da Amazônia. Ribeirinhos por natureza, 413 habitantes da Flona, segundo dados de 2011, se dividem em 26% de adultos, 28% de jovens e 46 % de crianças.
Segundo Graça Ferraz, a palavra comunidade tem sido utilizada na Flona Caxiuanã para denominar as localidades onde habitam esse contingente populacional como “um artificio” para agrupar, especialmente os moradores dos rios Pracupi e Cariatuba, onde as residências são muito distantes uma das outras.
 
Dificuldades e adaptação – As escolas multisseriadas ainda são uma realidade onde um professor ensina alunos de diversas séries. Assim é no município de Melgaço nas escolas São Sebastião (Caxiuanã), Escola da (comunidade) Pedreira, Escola do Miritizal, Escola Francisco das Chagas (Lago do Camuin).
 
Só na comunidade do Pracupijó é que a escola Nossa senhora da Conceição da comunidade do Pracupijó funciona no novo sistema da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação brasileira do 1º ao 9º ano.
 
No Município de Portel não há muita diferença onde a Anjo da Guarda (final do rio Pracupi), Escola- Anexo do Anjo da Guarda (Cariá), Escola Chico Mendes (entrada do rio Pracupi) e a Santo Antônio são todas multisseriadas. Somente a escola São Sebastião funciona no novo sistema da LDB, mas do 5º ao 9º ano.
 
Programa Floresta Modelo de Caxiuanã – Programa idealizado pelo Dr. Pedro Lisboa primeiro coordenador da Estação Científica Ferreira Penna e formulado em conjunto com os moradores da Flona Caxiuanã, tem como eixo central a Educação Ambiental. Seu objetivo é contribuir para a conservação e o manejo da Flona para criar um modelo de desenvolvimento sustentável na floresta. Para os seus autores, é desejável que o modelo possa ser replicado em várias comunidades da região e melhorar a qualidade de vida da população. Além da educação ambiental, o programa atua na área da saúde, agricultura, resgate da cultural, agroindústria e manejo sustentável.
 
Museu Goeldi e Caxiuanã - A Estação Científica Ferreira Penna é uma base de pesquisa científica do Museu Paraense Emílio Goeldi, localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã – Flona Caxiuanã, situada nos municípios de Portel e Melgaço, no Pará. Através dela, o MPEG desenvolve pesquisas sobre a biodiversidade da Amazônia, bem como educação em ciências e ambiental.
 
Texto: Jimena Felipe Beltrão