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Agência de Notícias

Ka'apor denunciam incêndios criminosos e baleamentos em invasão de suas terras indígenas

Dois membros da etnia Ka'apor teriam sido baleados e outros quatro estariam desaparecidos. Madeireiros do Maranhão seriam os responsáveis pelos conflitos.
publicado: 22/12/2015 18h15, última modificação: 09/03/2018 12h55


Agência Museu Goeldi – Os incêndios criminosos continuam a se alastrar por áreas de floresta da Terra Indígena (TI) do Alto Turiaçu, na Amazônia Maranhense, região Norte do Estado, e já teriam como saldo dois índios baleados e outros quatro desaparecidos em confrontos com invasores. É o que denunciam membros da etnia Ka'apor: os conflitos recentes, que ganharam a mídia na última semana, resultam do avanço de madeireiros sobre as suas áreas indígenas no Alto Turiaçu. O último ataque de madeireiros ao território teria acontecido no último domingo (20), quando dois membros da etnia Ka'apor teriam sido baleados por um grupo invasor de madeireiros. Outros quatro Ka'apor permanecem desaparecidos desde então.

Os indígenas agredidos pelos madeireiros invasores Terra Indígena do Alto Turiaçu são guardas ambientais. Eles integravam uma equipe de combate aos incêndios na floresta. Durante a última operação, no fim de semana, o grupo flagrou invasores extraindo madeira ilegalmente em um ramal da Terra Indígena. Pelo menos três madeireiros tiveram seus equipamentos apreendidos e foram presos pelos Ka'apor. Um dos invasores fugiu e depois retornou ao local dos conflitos, com cerca de 20 homens armados, narraram os Ka'apor. Foi nesse momento que se desencadeou o ataque denunciado pela etnia.

Os Ka'apor relatam que a entrada da aldeia dos Ka'apor foi fechada pelos madeireiros, que são oriundos do município de Zé Doca (MA). Dois caminhões e dois tratores se encontram no território indígena. Na imprensa local maranhense e nas cidades próximas, as versões que vêm sendo divulgadas culpam os Ka'apor pelo conflito.

As informações sobre o conflito entre os Ka'apor e os madeireiros na Terra Indígena do Alto Turiaçu foram repassadas ao Museu Paraense Emílio Goeldi através da bióloga do MPEG Marlucia Martins. Os relatos dos conflitos vêm de funcionários ligados à Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi, que é vizinha à Terra Indígena do Alto Turiaçu. Não há mais informações sobre estado de saúde dos dois indígenas baleados nos confrontos, tampouco sobre os quatro índios desaparecidos após os ataques às terras indígenas - nem mesmo sobre madeireiros feridos nos conflitos.  

Há décadas, o Museu Goeldi estuda a biodiversidade da Amazônia Maranhense - e se empenha na defesa da Rebio do Gurupi e das Terras Indígenas dos Ka'apor no Alto Turiaçu. A instituição se solidariza com povo Ka'apor e repudia todos possíveis ataques realizados contra a área da Terra Indígena (TI) do Alto Turiaçu.

 

Texto: João Cunha