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Lançamento da versão digital do mapa etno-histórico de Nimuendajú

Um dos mais importantes documentos etnográficos do país, o Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes foi totalmente digitalizado. No mundo, apenas três instituições, entre elas o Museu Goeldi, abrigam a obra que reúne mais de 900 referências sobre etnias e línguas indígenas do país e foi elaborado pelo etnólogo Curt Nimuendajú.
publicado: 26/09/2017 15h00, última modificação: 17/11/2017 15h38
Exibir carrossel de imagens Suellen Dias Monumento à Curt Nimuendajú no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi

Monumento à Curt Nimuendajú no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi

Agência Museu Goeldi – Uma das mais célebres obras cartográficas produzidas no Brasil, e considerada um marco dos estudos sobre as línguas e culturas indígenas, estará disponível na internet a partir do dia 27 de setembro, no portal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). São mais de 900 referências sobre etnias e línguas indígenas, coletadas entre os séculos XVI e XX, e catalogadas em 1943 no Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes pelo etnólogo alemão Curt Unckel, conhecido mundialmente como Curt Nimuendajú.

“Curt Nimuendajú desenhou, à nanquim, três versões não idênticas para o mapa-etnográfico. A primeira versão foi elaborada para a Smithsonian Institution (EUA), em 1942; a segunda, em 1943, para o Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém – BR), a pedido de Carlos Estevão de Oliveira; e a última versão, provavelmente a mais completa, foi traçada em 1944 para o Museu Nacional (RJ – BR). Acho uma iniciativa louvável, disponibilizar na internet este trabalho grandioso, meticuloso e que exigiu de seu construtor profundos conhecimentos de Etnologia, de História, de localização de povos indígenas e seus deslocamentos pelo Brasil da época. Com certeza, contribuirá e muito com a pesquisa nas áreas de antropologia, etnologia, história e tantas outras áreas afins”, destaca a pesquisadora da Coordenação de Ciências Humanas do Museu Goeldi, Alegria Benchimol, que há anos se dedica ao estudo e documentação do acervo etnológico do Goeldi.

Monumento à Curt Nimuendajú no Parque Zoobotânico do Museu GoeldiUtilizando a técnica de restauração digital, a versão original do mapa, que mede quatro metros quadrados, foi fotografada quadrante por quadrante, em alta resolução. Com isso, será possível, na versão digital, visualizar as informações em tamanho ainda maior que em sua versão física. Além da versão digital do mapa, será lançada também uma edição revisada e ampliada da obra – um mapa e um livro (impresso e digital).

A digitalização do mapa é parte do projeto Plataforma Interativa de Dados Geo-Históricos, Bibliográficos e Linguístico-Culturais da Diversidade Linguística no Brasil, realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pelo Iphan, por meio da equipe técnica do Inventário Nacional da Diversidade Linguística do Departamento do Patrimônio Imaterial (INDL/DPI/Iphan).  Um dos objetivos do projeto é utilizar novas tecnologias da informação e da comunicação para promover o acesso a conteúdo como a restauração digital do mapa original, a versão digital na íntegra dos documentos históricos e etnográficos mencionados por Curt Nimuendajú, além de mapas e informações contemporâneas sobre a diversidade linguística no Brasil.

Os coordenadores editoriais, Marcus Vinicius Carvalho Garcia (Iphan) e Jorge Domingues Lopes (UFPA), contam que lançar a publicação de uma nova edição do Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes e disponibilizar a versão digitalizada do original na internet é tornar acessível à sociedade um dos mais importantes documentos etnográficos produzidos no Brasil. A reedição apresenta uma revisão completa do documento, contendo, inclusive, pequenos ajustes que foram identificados no processo de pesquisa. A publicação, de 120 páginas, está organizado em forma de coletânea, com textos que servem como guias para a leitura do mapa.

O projeto conta com o apoio técnico e institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi, Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Nimuendajú um dos mais importantes etnólogos do Braisl no séc XXCurt Nimuendajú e o Mapa Etno-Histórico – Kurt Unckel (1883-1945) nasceu na cidade alemã de Jena e tornou-se etnólogo a partir da experiência de contato e de pesquisa com povos indígenas no Brasil. Foi batizado pelos guaranis como Nimuendajú (“o que fez seu assento”, “o que se estabeleceu”, conforme tradução livre do linguista Aryon Rodrigues). Foi um dos principais pesquisadores da diversidade social e cultural da Amazônia e, além de uma vasta obra intelectual, também produziu três versões do mapa etno-histórico. Após Nimuendajú fixar residência na Amazônia, passou a colaborar com o Museu Goeldi, como pesquisador e curador pioneiro até seu falecimento.

“Nimuendajú, naturalizado brasileiro em 1922, foi considerado como a principal figura da etnologia brasileira do seu tempo. Foi um autodidata fecundo intelectualmente que se destinou a coletar, pesquisar, ensinar e disseminar os conhecimentos que adquiriu em 40 anos de atividades dedicadas aos povos indígenas do Brasil”, acrescenta Benchimol.

Elaborado artesanalmente, o mapa, considerado como uma obra fundamental para o conhecimento das terras baixas da América do Sul, classifica 40 famílias linguísticas e identifica cada uma delas com tonalidades ou cores específicas. Para o antropólogo George Zarur, o mapa de Nimuendajú é uma obra clássica da antropologia brasileira, síntese de todo um conhecimento antes fragmentado e disperso.

O lançamento do mapa faz parte da programação do aniversário de 80 anos do Iphan e acontecerá no contexto da 87ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na sede do Iphan, em Brasília, às 17h.

Texto: Iphan com colaboração do Museu Goeldi

Serviço:

Lançamento da reedição do Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes, de Curt Nimuendajú e versão digital do mapa original

Data: 27 de setembro de 2017, às 17h.

Local: Sala Mário de Andrade – Sede do Iphan/Brasília (DF).