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Agência de Notícias

Lixo em frente ao Campus de Pesquisa está virando cena do passado

Moradores da Terra Firme e servidores do Museu se unem para substituir o lixo acumulado em um jardim comunitário, em frente ao muro do Campus
publicado: 10/12/2015 15h30, última modificação: 09/03/2018 12h32

Agência Museu Goeldi – O problema era incontornável. Não importava o caminho até o Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), a primeira paisagem que se tinha era o acúmulo de lixo. Pedaços de madeira, pneus, embalagens de plástico, móveis velhos e outros resíduos faziam uma trincheira entre a instituição e a Avenida Perimetral, em Belém. Esse cenário está começando a mudar desde que moradores da Terra Firme, bairro onde está o Campus, e servidores do Goeldi resolveram se unir para revitalizar o espaço.

Centímetro a centímetro, a calçada do Campus passa por uma transformação: de depósito de lixo a um grande jardim comunitário. As primeiras mudas foram plantadas faz quase um ano pelas mãos de Madalena Pantoja. “Foram esses coqueiros aqui”, fala apontando para os pés da planta que já podem ser vistos a distância. “Hoje, nosso jardim tem limoeiros, biribazeiros, paus-pretos e várias outras árvores”. Dona Madalena é uma das muitas pessoas do bairro envolvidas nesse projeto. Todos os sábados, ela e um grupo de moradores se dedicam a preparar o solo, regar e plantar. “Assim que uma área com lixo é desocupada, nós fazemos um cercado e plantamos em cima, para evitar a sujeira”, conta a moradora.

Nada se perde - Todo material usado na jardinagem é reaproveitado do mesmo lixão que há pouco tempo dominava a fachada do Campus do Museu Goeldi. Os pneus descartados, por exemplo, viraram as cercas e os vasos das plantas. “Um dos princípios desse projeto é a reciclagem, queremos mostrar que qualquer coisa pode ser transformada nova”, afirma Helena Quadros, educadora e servidora do Museu há mais de 20 anos. Ela desenvolve várias atividades com a comunidade local e foi uma das incentivadoras da criação do Ponto de Memória da Terra Firme em 2009. A partir do ponto, muitas mudanças começaram acontecer no bairro.

Do lixo à consciência - “Nós éramos muito mal-vistos, os jornais mostravam e ainda mostram uma imagem muito distorcida da gente”, conta Samia Queiroz, estudante de Psicologia e moradora da Terra Firme. “Com o Ponto de Memória, trabalhamos a nossa autoestima e conseguimos unir a comunidade para melhorar o bairro”.

Para Samia, a batalha contra o lixo é só uma parte nesse processo e a sujeira que se vê no bairro é um problema a ser resolvido não só por quem vive nele. Na rua onde a estudante mora, em frente à Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a coleta de lixo é feita três vezes na semana, número que pra ela não é suficiente. “As pessoas são obrigadas a produzir lixo. Praticamente tudo o que compramos gera um resíduo e não há muitas opções de descarta-lo. Nós podemos mudar, mas essa não é uma questão de esforço pessoal”, diz.

Tempo de colheita - Dona Madalena garante que o resultado que se vê no jardim comunitário pode ser usado para muitos fins por moradores e servidores do Museu. “Tem elixir paregórico, folha de ‘pirarucu’ e outros plantas muito boas para curar doenças”. Em breve, essas espécies vão ganhar companhia. O Serviço de Flora do Museu Goeldi vai entregar mais dez variedades de plantas amazônicas para florir ainda mais esse ponto verde.

 

Texto: João Cunha