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Museu Goeldi: valorização do passado e inspiração para o futuro de Belém

Neste 12 de janeiro, quando se comemoram os 400 anos de Belém, o Parque Zoobotânico abre as portas gratuitamente ao público. Completando 150 anos, Museu Goeldi serve de inspiração para se pensar o passado, o presente e o futuro da cidade
publicado: 15/02/2018 15h09, última modificação: 15/02/2018 15h09
Exibir carrossel de imagens Acervo Museu Goeldi Imagem do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi no ano de 1900

Imagem do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi no ano de 1900

Agência Museu Goeldi - Nesta terça (12), o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi abre excepcionalmente ao público - e com entradas gratuitas, em comemoração ao aniversário de 400 anos de Belém. Muito há para ser celebrado e lembrado do patrimônio desta cidade, que está entre as mais antigas da história de colonização da Amazônia. Muito há também para se sonhar sobre o futuro que se quer para a capital paraense e as pessoas que nela vivem.

Quem quer que visite o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi neste dia 12 poderá conferir cerca de 80 espécies de aves, mamíferos, quelônios e répteis, entre outros. Poderá ver também mais de 500 espécies de vegetais, incluindo árvores centenárias. Mais que isso, ao caminhar por um dos espaços mais emblemáticos da capital paraense, é possível acessar - em trilhas, canteiros e prédios históricos - camadas de memórias que contam sobre diferentes épocas da história de Belém, e nos ajudam a entender o presente e planejar o futuro da região de maior biodiversidade do globo.

Público em dia de passeio no Museu Goeldi no ano de 1900Rosto europeu, alma amazônica – O historiador Nelson Sanjad nos conta que o Parque Zoobotânico do Goeldi foi criado em 1895, pelo zoólogo suíço Emílio Goeldi. O parque zoobotânico foi pensado não apenas como sede do então Museu Paraense (que existia desde 1866, e portanto, completa 150 anos em 2016). Ele também  deveria ser um local em que se pudesse oferecer entretenimento e provocar a simpatia do público pelo trabalho de investigação científica da instituição - a mais antiga a se dedicar à pesquisa na Amazônia.

A atenção do público era conquistada, à época, com a visitação a animais, plantas e coleções científicas. Tudo isso em meio a um paisagismo de feições europeias, que incluia monumentos como a caixa d'água (ver galeria de imagens), modelada para parecer as ruínas de um antigo castelo. Os ideais de civilização e modernidade eram parte importante do projeto do Parque Zoobotânico, criado quando Belém passava pela chamada Belle Époque Amazônica.

Até a década de 1930, o parque não ocupava inteiramente o quarteirão de 5,4 hectares  que hoje ocupa no centro de Belém. Por meio de desapropriações sucessivas, foi se expandindo na área que, naquela época, era a zona rural da cidade. O ponto de partida para essa expansão foi o prédio da “Rocinha”, hoje conhecido como o pavilhão de exposições Domingos Soares Ferreira Penna. A Rocinha guarda os traços arquitetônicos clássicos das antigas casas de campo típicas das elites da época.

O Museu hoje - Atualmente, as atividades de pesquisa e os mais de 4,5 milhões de itens tombados nas coleções científicas do Museu Goeldi se concentram em seu Campus de Pesquisa, no bairro da Terra Firme, em Belém; e também na Estação Científica Ferreira Penna, localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, em Melgaço (PA), no arquipélago do Marajó. O Parque Zoobotânico permanece como referência turística na capital paraense - e também em educação ambiental e científica, elementos que parecem chave para um futuro positivo para a cidade de Belém.

Não por acaso, o Parque foi escolhido como foco do programa ProGoeldi. Iniciativa da sociedade civil, coordenada pelo Instituo Peabiru, o programa tem como um de seus objetivos arrecadar recursos para reformas e projetos dentro da instituição. Por meio da campanha “Abrace o Museu Goeldi”, qualquer pessoa pode fazer uma doação, em valores que vão de R$ 10 a R$ 15 mil. Basta acessar o site da campanha (disponível aqui).

Hoje, é no Parque Zoobotânico que se organizam exposições, a partir das coleções científicas do Museu. É nele que também se desenvolvem ações de educação científica e ambiental, baseadas nas pesquisas da instituição. O Museu Goeldi é atualmente o terceiro maior Instituto de Pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, desenvolvendo conhecimentos nas áreas de Botânica, Zoologia, Ciências Humanas e Ciências da Terra e Ecologia.

O Parque do MPEG: fragmento florestal marcante no centro de BelémConhecimento para a cidade – Nas origens do Parque Zoobotânico, a população de Belém era composta por muitos migrantes, atraídos pela economia da Era da Borracha, e por pessoas cada vez mais urbanas, que provavelmente tinham contato cada vez menor com o ambiente silvestre já naquela época. Em 1900, Belém tinha cerca de 100 mil habitantes. Estima-se que 90% frequentassem esse antigo espaço do Museu Goeldi, que completa 121 anos em 2016. Hoje, as mais de 300 mil pessoas que visitam o Parque Zoobotânico anualmente têm ainda menos oportunidades de conferir a natureza Amazônica dentro do próprio município de Belém.

Pesquisa realizada pelo próprio Museu Goeldi revelou que, até 2010, o Parque Zoobotânico era o fragmento florestal mais isolado do município de Belém, distante mais de 2 quilômetros do fragmento mais próximo, o Bosque Rodrigues Alves. Ao todo, a parte continental do Município de Belém já perdeu mais de 87% de sua cobertura vegetal original.

O parque permanece como uma mensagem verde no centro da capital: diz que a cidade precisa cada vez mais valorizar sua identidade amazônica e a qualidade de vida proporcionada por parques, praças e áreas de floresta. Para ficar apenas em um exemplo, ao redor do Parque Zoobotânico a temperatura é reduzida em até 3 graus celsius por conta da presença do verde.

Também em sua missão de chamar atenção para os conhecimentos científicos, o Parque Zoobotânico serve de inspiração para Belém. Apesar da melhoria do número de titulações de mestres e doutores no Brasil, a região amazônica ainda carece tanto de pesquisas quanto de formação qualificada. Segundo o site Observatório do PNE, a região Norte, que compõe a maior parte da Amazônia brasileira, formou 257 doutores no ano de 2013: apenas 1,68% dos 15.287 titulados em todo o Brasil no mesmo ano. Apesar de concentrarem o maior número de instituições de ensino superior e pesquisa do Norte, Belém e o Estado do Pará ainda precisam avançar muito na educação básica e na pesquisa científica. É o caminho necessário para utilizar e preservar recursos ambientais, respeitando conhecimentos tradicionais e fortalecendo a sustentabilidade.

Um Museu para o futuro - De acordo com a pesquisadora Heloisa Helena da Costa, da Universidade Federal da Bahia, as cidades são o resultado da criatividade dos homens. Elas crescem ou declinam e estão sempre em constante mudança a partir das atividades que seus habitantes desempenham.

Neste 12 de janeiro de 2016, o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi e a instituição como um todo se abrem para continuar sendo espaço fundamental para se enxergar Belém e a Amazônia, bem como para se projetar um futuro melhor, valorizando as narrativas de vida de seus habitantes e suas relações com todo o patrimônio cultural e científico resguardado pela instituição. Nestes 400 anos de Belém e 150 anos de Museu Goeldi, a instituição e a cidade continuam adquirindo e construindo novos sentidos e novas funções, juntos.

 

Texto: Uriel Pinho

 

Calendário Museu Goeldi nos 400 anos de Belém

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