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Olímpiada de Caxiuanã de olho na vida sustentável

Edição discute sustentabilidade da comunidade após a aprovação do Plano de Manejo da área
publicado: 17/10/2014 16h30, última modificação: 27/11/2017 16h39

Agência Museu Goeldi – “De olho na sustentabilidade” é o tema da VI Olimpíada de Ciência na Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã que desde o dia 15 acontece na Estação Científica Ferreira Penna (ECFPn) do Museu Paraense Emílio Goeldi. A expressão é um chamado aos participantes para os cinco dias da maratona de ciência, arte e educação para dialogar e refletir suas relações com o meio ambiente.

As 13 oficinas e atividades artísticas e esportivas da programação estão discutindo, na teoria e na prática, formas de viver e produzir conciliando conservação ambiental, rentabilidade econômica e qualidade de vida. O assunto, de alcance e destaque globais, ganha um significado estratégico para as comunidades de Caxiuanã, público e parceiro da Olimpíada.

Com a aprovação do Plano de Manejo da Flona em 2013, vários questionamentos surgiram à população nativa, habituada ao estado quase intocado da floresta. A futura exploração da madeira, prevista pelo manejo, e os seus efeitos na dinâmica socioambiental em Caxiuanã são pontos focados durante as atividades.

Manejo sustentável – De acordo com o Sistema Florestal Brasileiro (SFB), um dos objetivos das florestas nacionais é o uso consciente e sustentável da área. O Plano de Manejo da Flona Caxiuanã foi aprovado para conduzir a gestão dos recursos florestais sob esses critérios.

Dos 333 mil hectares da floresta nacional, cerca de 180 mil foram distribuídos em três unidades de manejo florestal (UMF), destinadas principalmente à exploração de madeira. O edital de concessão, que será lançado em breve, vai selecionar empresas que poderão fazer uma exploração sustentável, de forma que a floresta como um todo não seja atingida. Elas deverão seguir as diretrizes do SFB, como a rotatividade das áreas de exploração e o preço mínimo de R$ 75 por metro cúbico de madeira extraída.

Apesar das avaliações técnicas, incluindo estudos científicos do Museu Goeldi, e de reuniões entre especialistas, moradores e sociedade civil, a execução da concessão florestal e a fiscalização do Plano de Manejo são questões a serem observadas de perto pelos povos de Caxiuanã. “A comunidade local precisa entender esse processo, acompanhar a concessão, para garantir a preservação da floresta, a qualidade de vida das pessoas, a disponibilidade da pesca”, disse Marlúcia Martins, coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi.

Troca - Para a coordenadora, a Olimpíada é o ápice de um processo de troca de informações e saberes com as comunidades de Caxiuanã. No restante do ano, a estação científica coordena projetos educativos em escolas de Portel e Melgaço, região onde se situa a Flona.

Ela disse que os 165 professores e alunos que participam dessa edição estão cientes da importância da sustentabilidade. “É enriquecedor perceber que nesses grupos a capacidade de pensar uma Amazônia, um desenvolvimento, uma proposta inovadora para o mundo e para o país, é sólida. Eles vivem o que propagam, o que discutem aqui”, afirmou Marlúcia.

Acompanhe a Olimpíada de Caxiuanã no Portal do Museu Goeldi, onde é possível conferir os diários em vídeo da Olimpíada de 2014. Cinco vídeos reportam as Olimpíadas de 2013.

Texto: João Cunha

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