Você está aqui: Página Inicial > Assuntos > O Museu > História > Emília Snethlage


Emília Snethlage (1868-1929)

A ornitóloga alemã Emília Snethlage estudou nos cursos de História Natural das Universidades de Berlim, Jena e Freiburg. Em 1904, tornou-se doutora em Ciências pela Universidade de Freiburg, com estudos sobre a origem da inserção da musculatura nos insetos. No ano seguinte, 1905, passou a ser assistente de zoologia, sob a coordenação do ornitólogo Aton Reichenow (1847-1941), no Museu de História Natural de Berlim.

No mesmo ano, por meio de Reichenow, interessou-se na possibilidade de trabalhar no Museu Goeldi como assistente de zoologia junto ao chefe da seção zoológica e diretor da instituição, Emilio Goeldi. Foi contratada em junho de 1905, chegando ao Pará em agosto daquele ano.

A partir de então, começou a desenvolver inúmeros trabalhos de campo em expedições científicas pela Amazônia para a coleta de espécimes. Entre as suas viagens de maior destaque, tem-se a travessia entre os rios Xingu e Tapajós, realizada em 1909, na qual Emília contou apenas com a companhia dos indígenas locais. Com suas anotações sobre esta viagem, a cientista pode publicar um vocabulário comparativo dos índios Chipaya e Curuahé.

Outro trabalho seu de destaque foi o “Catálogo de Aves Amazônicas”, publicado em 1914 em um volume com 530 páginas. A obra pretendeu reunir todas as espécies de aves da região descritas e mencionadas na literatura científica até o ano de 1913.

Em 1907, com o retorno de Emílio Goeldi à Europa, Emília foi promovida à chefe da seção de zoologia do Museu, e assumiu por diversas vezes a direção interina da instituição durantes as ausência do então diretor Jacques Huber (1867-1914). Com a morte de Huber, em 1914, Emília Snethlage torna-se a diretora do Museu Goeldi, sendo a primeira mulher a dirigir uma instituição científica na América do Sul.

Em 1918, em meio à Primeira Guerra Mundial e com o rompimento das relações diplomáticas entre o Brasil e o bloco germânico, a ornitóloga alemã foi afastada pelo governo do Estado do Pará das atividades do Museu. No ano seguinte, 1919, Emília foi reintegrada ao seu cargo de diretora, no entanto, o Museu passava por sérias dificuldades financeiras, reflexo da situação econômica regional. Em 1922, Emília aceita a proposta do diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro e é transferida para aquela instituição para ocupar o cargo de naturalista viajante. Em 25 de novembro de 1929, Snethlage faleceu em Rondônia, durante uma de suas viagens científicas, tendo como causa da morte um ataque cardíaco.


Referências

Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 2009. Belém: MPEG, 2009. V. 4 n. 3. pp: 489-503.

CUNHA, Osvaldo Rodrigues da. Talento e Atitude: estudos biográficos do Museu Emílio Goeldi, V. I. Belém: MPEG, 1989.

JUNGHANS, Miriam. Emília Snethlage (1868-1929): uma naturalista alemã na Amazônia. In: Revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2008, V.15, suplemento, p. 243-255, Jun. 2008.

SANJAD, Nelson Rodrigues. Emílio Goeldi (1859-1917): a ventura de um naturalista entre a Europa e o Brasil. Rio de Janeiro: EMC, 2009.