Você está aqui: Página Inicial > Doutorado em Botânica Tropical é aprovado pela Capes

Agência de Notícias

Doutorado em Botânica Tropical é aprovado pela Capes

Realizado em parceria entre o Museu Goeldi e a UFRA, o curso vai ampliar os estudos de Ciências Biológicas sobre a Amazônia, com ênfase em Botânica Tropical. No Pará, é o primeiro doutorado na área. Em 2019, será realizado o processo seletivo para a primeira turma.
publicado: 01/10/2018 16h45 última modificação: 01/10/2018 16h54
Doutorado em Botânica Tropical é aprovado pela Capes

Doutorado em Botânica Tropical é aprovado pela Capes

Agência Museu Goeldi – A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) aprovou a abertura de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, com área de concentração em Botânica Tropical (PPGBot), realizado em parceria pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Resultado de grande esforço da comunidade acadêmico-científica de ambas as instituições, a conquista é inédita no Pará, que passará a formar doutores em Botânica Tropical. É o segundo da região amazônica.

O edital de seleção para a primeira turma de doutorado será publicado em 2019, com a previsão de ofertar dez vagas.

A aprovação do doutorado foi celebrada no final de setembro, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi. A direção do MPEG parabenizou os pesquisadores do Museu Goeldi e da UFRA pela conquista coletiva muito importante para a comunidade técnico-científico da região amazônica. A vice-reitora da UFRA, Janae Gonçalves, saudou a parceria acadêmica firmada ao longo dos anos e reforçou a confiança no avanço da qualificação da formação universitária dentro da região.

Para a coordenadora do PPGBot, Ely Simone, o doutorado recém-aprovado é resultado também de um elo histórico e centenário entre o Museu Emílio Goeldi e o campo científico da Botânica. Ela destaca que, desde o surgimento da instituição, em 1866, houve uma integração de pesquisadores da área, o que possibilitou a formação de coleções botânicas e o estímulo à educação, principalmente por meio do Parque Zoobotânico, e à comunicação científica, com a publicação do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. A pesquisadora lembra ainda que, ao trabalho inicial de Emílio Goeldi e Jacques Huber, uniu-se uma série de botânicos notáveis ao longo do tempo.

Doutorado – A Pós-Graduação em Botânica Tropical oferta duas linhas de pesquisa que visam contribuir com novos conhecimentos sobre a biodiversidade amazônica: “Sistemática e Evolução de Plantas”, onde são desenvolvidos estudos sobre a diversidade vegetal, análises morfológicas, anatômicas, variações genéticas e relações evolutivas de plantas; e “Ecologia, Manejo e Conservação”, que inclui investigações de padrões e processos ecológicos e estudos integrados sobre os ecossistemas amazônicos, buscando analisar e propor estratégias para a conservação e manejo sustentável da biodiversidade, além de estudos etnobotânicos, dedicados ao conhecimento tradicional sobre plantas silvestres e cultivadas, com interesse em aplicar o conhecimento científico no desenvolvimento sustentável de populações humanas.

Até a recente conquista da comunidade científica paraense, existia apenas um curso de doutorado na área de Botânica em toda a Amazônia brasileira -  o Programa de Pós-Graduação em Botânica, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. “Agora vamos ter mais recursos humanos na Amazônia Oriental, onde está localizada a região mais devastada da Amazônia", ressalta Ely Simone.

Ao falar sobre a inserção social e o impacto regional do PPGBot, a coordenadora do programa explica que “a maioria dos egressos (quase 100%) estão contratados em cargos e funções correlatas ao programa, atuando em universidades, centros de pesquisa, organizações não governamentais, assim como em empresas e secretarias de meio ambiente estaduais e municipais. Nota-se ainda destacada participação dos egressos do PPGBot como docentes na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e Universidade Federal do Amapá (Unifap). Grande parte deles deu continuidade à sua formação acadêmica cursando o doutorado em outros programas de pós-graduação do Brasil”, completou.

PPGBot – O Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas – Botânica Tropical iniciou suas atividades em 2002. Até agora formou 280 mestres. Atualmente, tem cerca de 30 alunos matriculados. Os conhecimentos produzidos por esses jovens especialistas auxiliam no desenvolvimento da ciência e geram subsídios para políticas públicas de conservação da biodiversidade amazônica. Com o reconhecimento do doutorado pela Capes, o programa passa a ter o primeiro curso do Pará na área e o segundo da Amazônia. Tanto o mestrado quanto o doutorado estão avaliados com a nota 4 (numa escala que vai até 7).

O PPGBot pretende atender a demanda de acesso de acadêmicos à pós-graduação de outras regiões do país, como Nordeste e Centro-Oeste, e, para isso, optou pela descentralização na realização de processos seletivos na composição das turmas de mestrado. Os processos seletivos do PPGBot vêm sendo aplicados em cooperação com instituições parceiras em capitais como Rio Branco (Universidade Federal do Acre), Macapá (Universidade Estadual do Amapá), Salvador (Universidade Federal da Bahia), São Luís (Universidade Estadual do Maranhão), Cuiabá (Universidade Federal do Mato Grosso), Teresina (Universidade Federal do Piauí) e Porto Velho (Universidade Federal de Rondônia).

 

Texto: Erika Morhy