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Arqueólogos do Museu Goeldi iniciam novo projeto com ceramistas de Icoaraci (PA)

Projeto do Museu Goeldi em parceria com Liceu Escola Mestre Raimundo Cardoso e ceramistas de Icoaraci promove troca de experiências sobre acervos arqueológicos. Um dos resultados será coleção de cerâmicas artesanais inspiradas neste patrimônio cultural e científico da Amazônia
publicado: 03/03/2017 14h45, última modificação: 15/02/2018 18h10

Agência Museu Goeldi – Nesta segunda-feira, 6, a Reserva Técnica de Arqueologia do Museu Paraense Emílio Goeldi desenvolve uma série de atividades com um grupo de ceramistas da Vila de Icoaraci, principal polo produtor do Pará. Será o início de um projeto envolvendo o Museu Goeldi, o Liceu Escola Mestre Raimundo Cardoso e as associações de artesãos de Icoaraci.

Tigela da cultura Marajoara (400 a 1400 AD)O projeto “Replicando o passado: socialização do acervo arqueológico do Museu Goeldi através do artesanato cerâmico de Icoaraci” tem o objetivo de divulgar o acervo do museu e ao mesmo tempo potencializar o artesanato cerâmico da comunidade oleira de Icoaraci, com inspiração nos estilos arqueológicos da Amazônia. Assim, busca agregar valor cultural aos produtos artesanais com base no conhecimento arqueológico produzido pelo Museu Goeldi.

Projeto - Entre as atividades do projeto, estão visitas ao acervo arqueológico do Museu Goeldi pelos ceramistas, a escolha conjunta das peças a serem replicadas e a troca de saberes sobre os contextos arqueológicos -por parte dos cientistas da área- e as técnicas ceramistas -por parte dos artesãos de Icoaraci-. Após a escolha das peças, serão realizadas oficinas, no Liceu e no Museu Goeldi, sobre réplicas e miniaturas, para a confecção de duas coleções didáticas para uso de estudantes e deficientes visuais.

Ao final desse processo de formação, serão produzidas peças para a venda em lojas de museus, incluindo a do Museu Goeldi, assim como em outros pontos de comercialização de artesanato regional e nacional.

A coordenação do projeto é da arqueóloga Cristiana Barreto, bolsista de capacitação institucional (PCI-MPEG/CNPq) e curadora da Reserva Técnica Arqueológica "Mário Ferreira Simões" do Museu Goeldi, e da educadora Janice Lima, diretora do Liceu Escola Mestre Raimundo Cardoso.

Urna funerária da cultura MarajoaraNas oficinas do projeto “Replicando o passado”, que terão lugar após a conclusão do circuito de visitas à Reserva Arqueológica e à escolha das peças a serem replicadas, serão abordadas questões como: o que é uma réplica; o que é uma miniatura; o que é uma peça certificada; materiais e técnicas a serem usados em réplicas, o contexto arqueológico da peça original e sua história no museu; critérios usados em outros lugares; além de marcas, etiquetas e embalagens que agregam valor cultural às peças.

Socialização - Na década de 70, o Museu Goeldi fez trabalho semelhante com o famoso Mestre Cardoso, o que resultou no estímulo à reprodução das cerâmicas arqueológicas na Vila de Icoaraci. No final da década de 90, a Arqueologia do Museu Goeldi estabeleceu outra parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para qualificar o trabalho de designers e artesãos paraenses, impactando fortemente a produção com a publicação Arte da Terra (1999). 

Reserva - Atualmente, o acervo da Reserva Técnica de Arqueologia do Museu Goeldi ultrapassa dois milhões de  itens, entre  fragmentos, peças  inteiras e semi-inteiras. Contém peças oriundas de diversos povos indígenas que viviam na Amazônia antes e durante a chegada dos colonizadores europeus na região. A reserva funciona desde 1997 no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, mas tem suas origens no século XIX, a partir da criação da instituição. Foi uma das primeiras coleções arqueológicos brasileiras tombadas pelo Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (atual IPHAN), em 1940.

Entre as décadas de 1950 e 1980, importantes coleções particulares e também objetos reunidos a partir de pesquisas em quase todos os estados da Amazônia Legal foram incorporados ao acervo do MPEG, com destaque para objetos em cerâmica, mas também objetos em rocha, madeira, osso, louça, ferro e exemplares de "arte rupestre" originais e em reproduções gráficas.

De lá pra cá, destacam-se várias outras pesquisas – em regiões como Carajás, Monte Alegre e a Calha Norte, no Pará - que resultaram em novos itens e informações para a coleção. O trabalho dos arqueólogos do Museu Goeldi dá origem à publicações de impacto internacional e exposições para socialização dessas informações com o público. Apenas entre os anos de 1998 e 2008, foram 17 exposições em cinco países e em cinco estados brasileiros.

Texto: Joice Santos e Uriel Pinho