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Conhecendo o chão da Amazônia

No último dia 3 de maio foi o Dia Nacional do Solo. No mês de abril, dia 15, celebrou-se o dia da conservação deste importante elemento. Lembramos algumas pesquisas do Museu Goeldi que se destacaram no estudo dos solos: os trabalhos com a Terra Preta Nova e as pesquisas sobre solos alterados pela mineração
publicado: 04/05/2017 16h15, última modificação: 15/02/2018 16h27

Agência Museu Goeldi - O solo é uma mistura de minerais, água e matéria orgânica capaz de manter a vida das plantas na superfície terrestre. É o produto final das ações dos processos físicos, químicos e biológicos que degradam as rochas. É também de onde retiramos parte dos nossos alimentos e construímos nossas habitações.

Dra. Dirse Kern em sítio de pesquisa na Floresta Nacional de CaxiuanãNeste dia 3 de maio, comemora-se o Dia do Solo. No dia 15 de abril, comemora-se o Dia Nacional da Conservação do Solo. As duas datas chamam atenção para a importância desse elemento. Aproveitamos também para lembrar algumas das pesquisas sobre o solo, realizadas pelos cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi, que conta com uma Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia (COCTE), dedicada ao estudo de disciplinas como paleontologia, geologia, geoquímica e ecologia no ambiente amazônico.

Sustentável e Inovador - Há mais de três décadas, Dirse Kern, pesquisadora da COCTE do Museu Goeldi, estuda os solos da região amazônica, com destaque para áreas que apresentam o que é conhecido como terra preta arqueológica (TPA), ou seja, solos extremamente férteis que abrigam restos de materiais arqueológicos, como fragmentos cerâmicos, carvão e ossos.

A partir dessas pesquisas, a cientista desenvolveu o experimento denominado Terra Preta Nova, um produto resultado do processo de transformação de resíduos sólidos em compostos orgânicos, enriquecendo o solo sem agredir o meio ambiente. A técnica é caracterizada pelo manejo do solo com a inclusão de resíduos orgânicos de origem vegetal e animal, com o objetivo de criar um produto que reproduza características da terra preta arqueológica, especialmente sua fertilidade e estabilidade.

Dra. Milena Moraes, pesquisadora bolsista do Programa de Capacitação Institucional do MPEG, ressalta a sustentabilidade desse material: “Esse experimento usa tudo que foi entendido até hoje da composição e caracterização do solo de terra preta, para formar um novo tipo de solo. A Terra Preta Nova tem o caráter de poder auxiliar na recuperação de solos degradados, utilizando rejeito de materiais, como por exemplo de origem madeireira, que seriam despejados e poluiriam o meio ambiente”, afirma.

De acordo com Milena Moraes, as pesquisas do Museu Goeldi sobre Terra Preta Arqueológica agregaram, ao longo do tempo, profissionais de diferentes áreas em uma perspectiva interdisciplinar. Assim, é possível reunir informações para interferir em áreas degradadas, reconhecer culturas pré-históricas e estabelecer parâmetros para um solo que se mostra bom para a agricultura e foi criado de maneira não intencional pelas atividades de povos pré-históricos.

Pesquisas com solos com perspectivas interdisciplinar são marcas do Museu GoeldiMilena destaca também que o experimento da Terra Preta Nova já foi apresentado na Feira de Inovação Tecnológica do SEBRAE e é objeto de patente da Dra. Dirse Kern, dando mostras do potencial de inovação tecnológica das pesquisas desenvolvidas pelo Museu Goeldi. “O experimento é muito importante porque todo mundo quer saber como se produz rápido, como se produz muito e como se produz sem utilizar muitos agrotóxicos”, assegura Milena. Para saber mais sobre o Experimento Terra Preta Nova, assista o vídeo clicando aqui.

Recuperação de Solos – Uma das pioneiras nos estudos de solos alterados por atividades de mineração na Amazônia e pesquisadora do Museu Goeldi, a Dra. Maria de Lourdes Ruivo ressalta a importância deste tipo de pesquisa: “Os pesquisadores de ciências do solo do Museu sempre trabalharam com solos alterados, seja por mineração ou atividades agrícolas, procurando indicadores da qualidade destes solos. Nossos estudos, em conjunto com outros profissionais da Amazônia e do Brasil, contribuíram para que hoje exista o aproveitamento da produção nestes sistemas alterados”, acrescenta.

Um dos exemplos mais recentes de pesquisas do Museu Paraense Emílio Goeldi na área de solos alterados é a participação da instituição no Consórcio Brasil-Noruega de Pesquisa em Biodiversidade (BRC). Dentro da iniciativa, o Museu Goeldi estuda a recuperação de solo após a mineração de bauxita em Paragominas, sudeste do Pará, em parceria com a empresa Hydro e outras instituições de pesquisa locais. Este consórcio possui como principais objetivos realizar pesquisa em restauração da biodiversidade de ecossistemas, levantamentos florísticos e faunísticos e pesquisa em emissão de gases de efeito estufa.

De acordo com a pesquisadora, todos esses resultados já foram usados em políticas públicas e em legislações voltadas para a recuperação dessas áreas. “Há 20 anos, dizia-se que uma área quando era alterada, perdia-se ela. Hoje vemos que uma área pode ser recuperada e usada de diferentes maneiras, desde produção até contemplação”, destaca.

As pesquisas com Terra Preta Arqueológica, Terra Preta Nova e recuperação de solos com participação do Museu Goeldi são apenas alguns exemplos das pesquisas desenvolvidas e divulgadas pela instituição, tendo como foco os solos amazônicos e brasileiros. Outras iniciativas podem ser conferidas no Boletim Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais e no Portal da Instituição.

Texto: Marco Aurélio Gomes