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Agência de Notícias

Curso do Museu Goeldi discute o ensino da história e da cultura afro nas escolas

Além de discutir a Lei 10.639, será lançada uma nova trilha pelos símbolos da cultura afrobrasileira no Parque Zoobotânico
publicado: 12/11/2015 12h00, última modificação: 08/03/2018 11h25

Agência Museu Goeldi - Desde 2003 vigora no Brasil uma legislação que torna obrigatório o ensino da história e cultura afrobrasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, trata-se da Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003. Para estimular a aplicabilidade da norma na educação local, o Museu Paraense Emílio Goeldi, através do seu Serviço de Educação (SEC), oferece, de 16 a 20 de novembro, o curso “A importância do Museu Goeldi nos diversos níveis de ensino”, realizado anualmente.

A relevância do tema deste ano foi percebida por meio de um dado estatístico importante: de acordo com o Censo Demográfico do IBEG de 2010, o Pará é a unidade da federação com maior número de cidadãos autodeclarados pretos ou pardos (76,7% da população). Dessa forma, reforçar questões de identidade e cultura negra em ambiente escolar, por meio da troca de informações sobre a temática com professores, estudantes e profissionais de diversas áreas de atuação, é um dos objetivos do curso.

 “Quando a maioria da população do Pará se declara negra ou parda, é muito importante que a maior instituição de pesquisa do norte do estado abrace esse isso como um dado importante e ofereça formação para retribuir à comunidade, que precisa e deseja isso, então é importante que o Museu Goeldi esteja reconstruindo e reavivando esse processo”, explica Tainah Coutinho, estudante de Ciências Sociais, estagiária do SEC e membro da organização do evento.

Programação – Na formação estão inclusos conferências, palestras, mesas redondas, oficinas e programação cultural, que envolvem a história da matriz africana no país. Haverá, também, o lançamento da trilha “Afroamazônicos e seus símbolos da educação no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi”.

As conferências abordam a experiência do Projeto RENAS em Moçambique e o acervo de peças africanas do Museu Goeldi. Os temas das palestras envolvem direitos humanos, etnobotânica e os aspectos do negro na educação. As mesas redondas versam sobre a aplicabilidade da Lei 10.639 na prática da educação e o ensino com foco nas matrizes africanas. Já as oficinas envolvem elementos da cultura negra como a capoeira inclusiva, percussão com tambor, literatura negra, uso do cinema como ferramenta de educação para a efetivação da Lei 10.639, entre outros temas.

Esta edição do evento será realizada no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi e na Faculdade de Artes Visuais da UFPA. Clique aqui para ver a programação completa e aqui para se inscrever. Além do cadastro pela internet, haverá um posto de inscrições instalado na Faculdade de Artes Visuais no primeiro dia do evento, a partir das 13h30.

Gratuito e aberto para professores, estudantes de nível médio e superior, comunidades-terreiro e público em geral, o curso oferece certificação com carga horária de até 20 horas.

Trilha – Um passeio entre os símbolos da cultura afrobrasileira presentes no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi será realizado pela primeira vez no dia próximo dia 20, data do lançamento da trilha “Afroamazônicos e seus símbolos da educação no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi”, idealizada por Tainah Coutinho sob orientação de educadora do Museu Goeldi Msc. Helena Quadros.

A trilha é uma das formas que o Museu Goeldi encontrou para reforçar a importância da concretização da Lei 10.639 na educação, já que, segundo Tainah, a escola enfrenta muitos desafios para que o ensino da história e das culturas afrobrasilerias seja aplicado.

Apesar de ser conhecido por sua diversidade cultural e religiosa, a estudante destaca que o Brasil é essencialmente cristão, o que dificulta a aplicabilidade da Lei 10.639, já que as culturas afro são confundidas apenas com os aspectos religiosos. “Temos uma herança histórica de preconceito ainda muito arraigada na sociedade, é um preconceito com varias nações e possibilidades, então as pessoas relacionam muito a história e cultura negra somente à questão religiosa e utilizam alguns termos de forma pejorativa, como a macumba, então ‘não vou falar de história da África em sala de aula porque eu estou falando pro meu aluno que ele deve ser macumbeiro’. A partir do momento em que o professor tem essa visão, fica difícil de avançar”, explica a discente.

A trilha é executada pelo Núcleo de Visitas Orientadas do MPEG, que em 2014 atendeu 25 mil crianças e adolescentes.

 

Serviço

Curso “A importância do Museu Goeldi nos diversos níveis de ensino - Aplicabilidade do ensino de história e cultura africana e afrobrasileira nas Escolas”.

Período: de 16 a 20 de novembro

Público-alvo: professores, estudantes de nível médio e superior, comunidades-terreiro e público em geral.

Organização: Ana Claudia Silva, Helena Alves Quadros, Laysa Santos e Tainah Jorge.

Contatos: (91) 31823249 / acsilva@museu-goeldi.br / hquadros@museu-goeldi.br / laysasantos@museu-goeldi.br

Acesse a programação

 

Texto: Mayara Maciel