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Numa conversa com objetos, a pré-história da Amazônia

Terceira edição do projeto Conversas com objetos, vinculado ao Instituto Goethe, faz da cerâmica marajoara o passaporte para a compreensão da relação entre a história da arte e a cultura material na Amazônia para além de uma visão eurocêntrica.
publicado: 23/03/2017 10h30, última modificação: 15/02/2018 16h29

Agência Museu Goeldi - A história da arte contada a partir da cultura indígena: quais vozes ecoam de um objeto milenar que marca a pré-história da Amazônia? Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, foi a vez da capital paraense abrigar o projeto Conversas com objetos, vinculado ao Instituto Goethe. Especialistas de diferentes formações se uniram em torno de uma peça da cerâmica marajoara para construir uma perspectiva não europeia da história da arte, levando em consideração que os objetos também são agentes sociais.

Uma urna funerária que integra a coleção arqueológica do Museu Goeldi foi o objeto escolhido para essa edição. O evento foi realizado no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas em junho de 2016. A peça, uma das mais famosas do acervo, materializa um outro olhar para a história da formação das Américas, especialmente da Amazônia. Para saber mais detalhes sobre essa conversa, basta conferir o vídeo.

Reserva – Atualmente, o acervo da Reserva Técnica de Arqueologia do Museu Goeldi ultrapassa dois milhões de itens, entre  fragmentos, peças  inteiras e semi-inteiras. Contém peças oriundas de diversos povos indígenas que viviam na Amazônia antes e durante a chegada dos colonizadores europeus na região. A reserva funciona desde 1997 no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, mas tem suas origens no século XIX, a partir da criação da instituição. Foi uma das primeiras coleções arqueológicos brasileiras tombadas pelo Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (atual IPHAN), em 1940.

Urna funerária integra o acervo arqueológicoEntre as décadas de 1950 e 1980, importantes coleções particulares e também objetos reunidos a partir de pesquisas em quase todos os estados da Amazônia Legal foram incorporados ao acervo do MPEG, com destaque para objetos em cerâmica, mas também objetos em rocha, madeira, osso, louça, ferro e exemplares de "arte rupestre" originais e em reproduções gráficas.

De lá pra cá, destacam-se várias outras pesquisas – em regiões como Carajás, Monte Alegre e a Calha Norte, no Pará - que resultaram em novos itens e informações para a coleção. O trabalho dos arqueólogos do Museu Goeldi dá origem a publicações de impacto internacional e exposições para socialização dessas informações com o público. Apenas entre os anos de 1998 e 2008, foram 17 exposições em cinco países e em cinco estados brasileiros.

Texto: Phillippe Sendas e Uriel Pinho