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Tons de rosa pelo caminho: a floração do jambeiro no Museu Goeldi

Nos últimos dias, os visitantes do Parque Zoobotânico puderam conferir os tapetes cor de rosa formados pelas flores dos jambeiros. Além da beleza, a floração facilita a fecundação das flores pelo polinizador, garantindo a reprodução das espécies vegetais. No caso do jambeiro, é também uma forma de defesa
publicado: 05/05/2017 12h15, última modificação: 15/02/2018 15h59

Os saborosos jambos fazem a festas das cutiasAgência Museu Goeldi – As mangueiras são as árvores-símbolo da capital do Pará, Belém. Centenárias, elas margeiam as principais avenidas da cidade, apesar de muitas não terem resistido ao tempo e a falta de manutenção. Contudo, nos últimos dias, outra espécie tem ganhado destaque por garantir, além de sombra e frutos, muita cor: é chegado o tempo da floração dos jambeiros. E o Parque Zoobotânico (PZB) do Museu Goeldi possui três árvores da espécie Syzygium malaccense (L.) Merr. & L.M. Perry, nome científico do jambeiro.

Diferentes fatores contribuem para a floração das árvores: o clima e o estado nutricional e hormonal dos vegetais são alguns deles. Da mesma família que a goiabeira e a jabuticabeira, o jambeiro possui uma particularidade na sua floração, que dura em média duas semanas, como destaca Amir Lima, responsável pelo Setor de Flora do PZB: “De uma maneira geral, a floração é um atrativo para o polinizador. É ele quem proporciona a fecundação da flor, consequentemente a geração da semente e uma nova geração da espécie. No caso específico do jambeiro, o tapete de flores formado no chão contém uma substância aleopática que inibe a germinação de suas sementes. Com isso, nenhuma planta germina debaixo da planta mãe”, explica.

Ao liberar substâncias químicas, comprometendo o desenvolvimento de outras espécies, o jambeiro executa um processo chamado aleopatia, que, em linhas gerais, também serve como mecanismo de defesa contra espécies invasoras. Além de colorir o chão, o tapete de flores protege a espécie, que pode chegar a 20 metros de altura e rende saborosos jambos, frutos ricos em nutrientes, como ferro, fósforo e vitaminas B1 e B2.

Pelos lagos, flores amarelas do ipê também se espalhamIpê e Sapucaia – Do rosa choque das flores do jambeiro para o amarelo intenso do ipê ou o branco da sapucaia. Entre as 500 espécies de plantas espalhadas pelo Parque Zoobotânico, essas duas outras floradas também chamam a atenção dos visitantes, seja pela cor vibrante do ipê-amarelo ou pelo perfume das flores da castanha-sapucaia. As florações do ipê-amarelo e da sapucaia também já começaram. Eis a oportunidade para saber mais sobre a coleção viva do Museu Goeldi e admirar esse espetáculo cromático da natureza. Mas é preciso ser rápido, afinal as florações são passageiras e alguns animais da fauna livre se alimentam das flores das várias espécies da flora do PZB.

Parque Zoobotânico – Inaugurado em 1895, o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi foi tombado como patrimônio em 1993 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O Parque tem cerca de 500 espécies de plantas, entre elas, ervas, cipós, arbustos e árvores de grande porte. Vivem também 1.790 animais, de 80 espécies amazônicas, ocupando uma área de 5,4 hectares no centro de Belém. As visitas ao PZB podem ser feitas de quarta-feira a domingo, das 9h às 17h.

Texto: Phillippe Sendas.