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Urnas funerárias antropomórficas e um pouco da história amazônica

A edição de janeiro de 2014 do informativo bimestral do Museu Paraense Emílio Goeldi, Destaque Amazônia, apresenta pesquisa arqueológica desenvolvida no Amapá, coleção de etnobotânica do MPEG, lançamento de livro entre outras matérias sobre estudos recentes realizados na Amazônia.
publicado: 16/01/2014 12h15, última modificação: 22/08/2017 15h53

Agência Museu Goeldi – Urnas de uso em práticas ritualísticas funerárias estão entre as evidências mais conhecidas da cultura pré-histórica. Encontradas em grutas e abrigos, reconhecidas como cemitérios de sepultamento secundários localizados na região do sudeste do Amapá, mais precisamente na área de influência da bacia do Igarapé do Lago, no sudeste do Estado, as urnas são testemunhos das populações humanas que ocuparam aquela área no período de 1300 a 1550 d.C.

A matéria principal do Boletim Informativo do Museu Goeldi Destaque Amazôniaedição de nº 67, aborda a pesquisa que estuda a cultura pré-histórica Maracá. Diante da riqueza de informações que as urnas contêm sobre o grupo Maracá, a bolsista do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Jéssica Michelle Rosário de Paiva, desenvolve, desde 2011, o estudo “Análise iconográfica dos fragmentos de urnas funerárias Maracá – Coleção AP-MZ-30: Gruta das caretas”. O trabalho é coordenado pelo pesquisador Carlos Augusto Palheta Barbosa, da Coordenação de Ciências Humanas de (CCH) do MPEG, dando continuidade às abordagens iconográficas desenvolvidas em projetos acadêmicos do mesmo.

Catalogação botânica – Destaque Amazônia apresenta também o trabalho desenvolvido pelas bolsistas Paula de Oliveira e Rozine dos Santos, orientadas pela pesquisadora Márlia Coelho Ferreira, da Coordenação de Botânica do Museu Goeldi, na qual foi possível ajudar na sistematização e organização de exsicatas (amostra de plantas prensadas e secas) botânicas do acervo do MPEG. O trabalho foi executado com as informações do período de 2008 aos dias atuais.

Os dados foram digitalizados e as exsicatas incorporadas ao herbário. As duplicatas não férteis por sua vez foram organizadas no Laboratório de Etnobotânica. A coleção atualmente abriga 152 etnoespécies, pertencentes a 50 famílias botânicas. As famílias de maior representação são a Fabaceae e a Apocynaceae.

As áreas estudadas contemplam 11 localidades do Pará, dentre elas estão; Jacareacanga, Altamira, Ilha do Combu, Barcarena nas Vilas Itupanema e Nova do Piry, Abaetetuba, Santarém, Igarapé Mirim, Terra Indígena Kayapó nas Aldeias Moikarakô e Las Casas, Algodoal, Marudá e Maracanã.

Subsistência – O jornal também relata a busca para identificar saberes e técnicas tradicionais a respeito do mundo vegetal entre moradores das comunidades Santa Maria e Flexal, próximas à Reserva Extrativista (Resex), em Tracuateua, no nordeste do Pará. A ideia é avaliar a relação das populações locais com os diferentes elementos das paisagens, bem como a forma de uso ou manejo dos recursos naturais. Para a subsistência, os entrevistados retiram recursos naturais de diferentes tipos de paisagem. Eles mencionaram oito paisagens que são a mata, várzea, campos, roçado, terra firme, praia, mangue e igapó.

A estudante Beatriz Melo de Figueiredo, bolsista Pibic/CNPq do Museu Goeldi, orientada pela Dra. Regina Oliveira da Silva, do MPEG, ressalta que os dados obtidos na pesquisa mostram que há uma riqueza de espécies utilizadas pelos moradores. Informações etnobotânicas de 60 espécies vegetais, distribuídas em 30 famílias e 59 gêneros, foram incluídas em um banco de dados.

Das espécies citadas pelos moradores, de acordo com o uso, 37 pertencem à categoria alimentícia, 13 à categoria medicinal, 13 à construção, 5 à categoria de uso para carvão, 2 à categoria de uso doméstico e 1 à categoria de uso comercial. O açaí (Euterpe oleraceae), a acerola (Malpighia spp), a banana (Musa spp), o coco (Cocos nucifera), a graviola (Annona muricata) e a manga (Mangifera spp) são as mais citadas.

Lançamento – Destaque Amazônia traz ainda matéria sobre o livro lançado pelo pesquisador titular da Coordenação de Botânica do Museu Goeldi, Dr. Pedro Lisboa, que dedicou cinco anos de sua vida para escrever um pouco sobre a história do povo marajoara. Para o pesquisador não era suficiente sentir amor, mas era necessário contribuir de alguma maneira à educação e à divulgação das belezas que se espalham por todo o “arquipélago que fascina”. Dessa forma surgiu o livro “A Terra dos Aruã: Uma história ecológica do Arquipélago do Marajó”. No jornal, você poderá encontrar informações sobre a vida do escritor, sua contribuição para o Marajó, além de saber como adquirir um exemplar do livro.

O informativo – Neste mês de Janeiro de 2014, o Destaque Amazônia dedicou-se a divulgação de pesquisas feitas pelos bolsistas do Museu Goeldi e do livro A Terra dos Aruã: Uma história ecológica do Arquipélago do Marajó”. O jornal bimestral do MPEG chega a sua 67ª edição desde sua nova fase, iniciada em 2008, quando foi reelaborado pela Agência Museu Goeldi, do Serviço de Comunicação Social (SCS), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Dê sua opinião ou sugestão através do e-mail destaqueamazonia@museu-goeldi.br

Confira a edição na estante virtual do jornal disponível no Portal do Museu Goeldi.

Texto: Lucila Vilar

 

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